quarta-feira, 6 de abril de 2011

O eterno complexo de uma "Distância Turística"

Ibiúna: anos de estagnação desde que recebeu título de Estância


















Quando, em 2008, o então prefeito Cel. Darcy (PSB) anunciou seu secretariado, Ibiúna teve motivos para comemorar. Embora não tenha conseguido escapar por completo dos “arranjos partidários”, o falecido prefeito fez com que, pela primeira vez, a maior parte dos cargos fosse ocupada não por apadrinhados políticos, mas, sim, por pessoas com formação técnica e vivência nas áreas a serem representadas.
O tempo passou, algumas escolhas feitas por Darcy mostraram-se desastrosas, enquanto outras provaram-
se mais do que acertadas. Uma das pastas, entretanto, gera polêmica. Trata-se da Secretaria de Turismo e Cultura, comandada por Mauro Issler.

Apesar de contar com orçamento próprio (ainda longe do ideal, segundo o próprio secretário) e mais o apoio do Departamento de Apoio ao Desenvolvimento das Estâncias (DADE), as ações do setor que possam, de fato, desenvolver o potencial turístico e a produção cultural são tímidas. Projetos como a Pista de Caminhada e a estruturação do “Caminho de São Sebastião”, até o momento não saíram do papel. A Casa da Cultura encontra-se de portas fechadas. Informalmente, produtores de eventos que procuram apoio do poder público reclamam que, para um resistente Mauro Issler, tudo é considerado caro, dispendioso, dificultoso, burocrático. Em resumo: apesar da formação técnica do atual secretário, o cenário turístico/cultural de Ibiúna continua estagnado - praticamente igual ao passado, quando a pasta era comandada por pessoas cuja principal relação com o “turismo” resumia-se à aquisição de pacotes para temporadas no Nordeste.

Oportunidades perdidas
De fiasco em fiasco, Ibiúna vê-se constantemente enfraquecida nesse mercado promissor. Na visão do jornalista Carlos Marques, o desenvolvimento real do cenário turístico atenuaria o déficit de empregos – considerado o grande vilão entre os problemas enfrentados pelo município. Para ele, porém, isso não deve acontecer enquanto a municipalidade não mudar a postura. “O que se vê é um esforço dos empresários do setor e, praticamente, nenhuma ação da prefeitura”, aponta. “Nos últimos anos, o turismo de Ibiúna ficou sob responsabilidade dos proprietários de pousadas e pesqueiros, sem interferência do poder público”. Marques completa com uma observação acerca dos recursos do DADE “Em 2008 (época da gestão Fábio Bello), os recursos foram aplicados para recapear asfalto e o montante de 2009, que deveria ser para a construção de uma ciclovia, ainda não chegou ao município – inexplicavelmente”, afirma.

É fato que todos ganharíamos muito, caso os visitantes que possuem casas de veraneio nos condomínios prestigiassem nosso centro comercial ou, pelo menos, os pontos pretensamente turísticos. Isso se faz por meio da oferta de atrações viáveis, que encantem e tenham o poder de agregar. Nessa conta entram atividades e atitudes que competem diretamente à secretaria de Issler, como eventos culturais, criação (e fomento) de roteiros temáticos, conservação dos pontos turísticos, confecção de um guia abrangente, investimentos na urbanização da cidade, dentre outras ações. Mas, como exigir isso quando não temos, sequer, uma sinalização decente? Infelizmente, hoje, assim como no passado, o turista que visita Ibiúna continua desguarnecido.


Secretário não responde sobre ações concretizadas, mas promete: Pista de Caminhada vai sair

 
Imagem do local onde Issler diz que haverá Pista de Caminhada

Procurado pelo Panorama, o secretário municipal de Turismo e Cultura, Mauro Issler, falou sobre as ações empreendidas por ele à frente da pasta. A respeito da Casa da Cultura, Issler afirma que a estrutura ainda não foi inaugurada e que a intenção de abri-la ao público na semana do aniversário de Ibiúna falhou. Segundo ele, isso ocorre devido à falta de uma equipe de manutenção por parte da secretaria. A nova previsão, pelo que diz Issler, é de que a Casa da Cultura esteja pronta para receber a etapa municipal do Mapa Cultural. “Estamos adequando a Casa para que ela tenha vida cultural ativa e não apenas um espaço museológico, a idéia fundamental é, através de atividades culturais, tirarmos crianças e jovens das situações de risco social”, defende.

Pista de Caminhada: agora sai?
Sobre a Pista de Caminhada, Mauro Issler - segundo palavras próprias - prefere enxergar a extrema lentidão no trâmite como um exemplo da seriedade do governo no trato com a coisa pública. “É uma obra ladeada por uma APP em praticamente toda a sua extensão, está integralmente dentro de uma unidade de conservação do estado de São Paulo e tem uma empresa de produção de energia como concessionária”, explica. De acordo com Mauro, várias secretarias da administração Coiti Muramatsu se mobilizaram para reconstruir o que ele define como “laços de confiança” com essas instituições. “Esse trabalho foi excepcionalmente árduo e demorado devido à falta de credibilidade que as administrações passadas deixaram, além das dívidas”, alfineta, completando que tais barreiras foram superadas e que os recursos para a obra já estão à disposição da prefeitura. “Falta, apenas, o licenciamento da CETESB, onde o projeto já foi protocolado”, afirma.

A respeito de planos que envolvem a represa de Itupararanga e a região percorrida pelos romeiros de São Sebastião, o secretário alega que Ibiúna padece de áreas públicas, principalmente na região da represa, para a implantação de um projeto de relevância. “Atualmente, estamos negociando com um grande empresário a permuta de uma importante área naquele local”, promete, mais uma vez. Sobre os “Caminhos de São Sebastião”, Mauro Issler defende que um projeto de estruturação turística já se encontra no DADE, aguardando despacho do Secretário de Turismo do Estado, Márcio França.

Nenhuma ação concretizada desde 2009?
Aparentemente fã de projetos que se encontram em estudo, análise ou tramitação, Mauro Issler não demonstrou a mesma disposição para falar sobre medidas já concretizadas em sua gestão. O secretário negou-se a enviar uma relação das iniciativas que já se encontram no campo do real. Em sua resposta, Mauro limitou-se a dizer que o responsável por este blog deveria ir até a Biblioteca Municipal de Ibiúna, onde tal relação – N.E: se é que ela existe – poderia ser encontrada. Mesmo sinalizado sobre a impossibilidade de isso ser feito, devido ao fato de este jornalista viver, atualmente, em São Paulo, Mauro Issler não enviou a lista com os projetos concretizados pela secretaria.
Por que será?


3 comentários:

  1. Sujeito mole e sem ação já demorou pra cair.

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  2. Enquanto caras como Fabio Bello, Charles, Frioli e Marmelos tiverem eleitor, Ibiúna nunca vai para frente.Tem que limpar! Tirar o lixo que domina nossa politica e começar de novo. Senão não adianta vir nenhum secretario que vai ficar sempre na mesma.
    Gerson

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  3. Parabéns pela reportagem Bruno.

    Considero o Mauro uma excelente pessoa, mas é preciso separar as coisas.

    Mesmo desprovido de dados concretos, só me recordo do monumento em homenagem aos estudantes que participaram do XXX Congresso da UNE, o que é pífio perto das reais necessidades do município.

    Por isso costumo criticar a realização de festas megalomaníacas, que norteiam nossas reais necessidades.

    É preciso definir prioridades para atuar com sabedoria e eficiência.

    Abraço!

    Igor Tanaka

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