segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

André Gonzo: "O PODER DE VETO É DO EXECUTIVO"


Semanas após lançar polêmica pré-candidatura ao Executivo, o professor e músico André "Gonzo" Camargo concede entrevista exclusiva ao blog Panorama. Aqui, ele fala sobre a repercussão vista nos últimos dias, o problema de emprego e falta de perspectiva em Ibiúna, as polêmicas relações entre Executivo e Legislativo e outros assuntos. Confira:

Por que você decidiu lançar-se pré-candidato a prefeito de Ibiúna?

Estamos cansados dos mesmos. Como músico, sofri mais ainda. Não há espaço, embora, nessa gestão, isso tenha melhorado. Como estudante, então, nem se fala. Não há apoio para melhorar a formação do jovem em Ibiúna. Não tem um curso técnico em agronomia, muito menos em turismo para explorar a capacidade da cidade e dos jovens. Ninguém se importou até agora com essa parcela da população. É necessário ter estradas, hospital de qualidade, mas, também, é necessário ter qualificação para essa rapaziada. Ver meus alunos trabalhando em loja e mercados dói demais.

Você tinha algum envolvimento com a política antes disso?

Fui aluno de uma das maiores celebridades do país em direitos humanos e política pública, a Professora Doutora Maria Victória, e com ela aprendi que o que eu já fazia era política: instigar conversas em sala de aula, promover eventos para grupos de minorias, como o 1º e o 2º Fest Rock etc. Participei de quatro greves para melhoria do ensino publico no município de Mairinque e contra o governo estadual. Corri de policiais, vi colegas sendo machucados por algo que era legal e de direito do funcionário. Participei de dezenas de eventos para arrecadar alimentos. Fiz parte do Conselho de cultura para o qual nunca deram voz. Faço parte do Conselho de Escola da EE Laurinda Vieira Pinto.
Na internet, onde a pré-candidatura foi lançada, a maior parte das pessoas prestou apoio e elogiou sua iniciativa. A seu ver, o que justificaria toda essa repercussão? O cenário político de Ibiúna está saturado?

Estou assustado com tanta gente que entra, ora para falar bem e dar apoio, ora para falar mal e repudiar-me. Percebi que as pessoas não estão contentes com a atual administração e muito menos querem os velhos administradores. Querem força nova, com vontade, com amor à cidade, que viva aqui, que lute dia-a-dia para ganhar seu pão honestamente. Não quero promover uma onda “darciânica”, porque nosso querido e eterno prefeito Darcy não teve tempo para melhorar essa cidade. Temos formações diferentes embora ambos tenhamos o mesmo sonho.
Você já encontrou um partido para viabilizar sua empreitada?

Tive convite de dois e estou esperando para me reunir com o grupo que me apoia para escolhermos juntos. Entretanto, não quero citar nomes, mas, adianto que será uma linha socialista e libertária.
Para você, quais os principais problemas do município?

O grande problema de Ibiúna está ligado ao descaso com os adolescentes e jovens desta cidade. Somos uma cidade conhecida nacionalmente pelo XXX Congresso da UNE e nossos estudantes são deixados de lado. Com isso há o aumento do uso de drogas licitas ou ilícitas, falta de perspectiva e amor ao chão em que vivem.
Imagina-se que seu apelo será maior entre a parcela mais jovem da população, que padece com a falta de oportunidades. Há algum projeto específico no que diz respeito à geração de emprego e renda para essas pessoas?

Dizem sempre que nossa cidade precisa de empresas, mas se essas vierem,nossa população será contratada apenas como peões de fábrica. Primeiramente, devemos ter pessoas bem formadas em várias áreas. A Agricultura tem de ser levada não só para o campo de produção, colheita e venda, mas deverá ser explorada pelo Turismo Rural. Meu grande sonho para essa cidade seria que aqui tivesse um conservatório municipal com todas as belas artes, com aulas para todas as idades. Assim, tiraríamos os jovens das ruas. Estamos numa Estância Turística que não há bares com musica ao vivo. Não há músicos aqui. Trazer uma faculdade de tecnologia abriria muitas portas para nossos jovens. São Roque conseguiu. Criar bolsas aos alunos que tiverem o melhor desempenho no ensino médio publico para que não precisem sair da escola ou estudar à noite, pois a carga de horas trabalhadas atrapalha demasiadamente o estudo. Criar bolsa e auxilio moradia para os alunos que frequentarem cursos fora da cidade. Fazer parceria com alguma faculdade de medicina para utilizar do hospital municipal, com isso teríamos cursos de tecnologia e reparos em materiais de hospitais, médicos residentes atuando no hospital e sem falar que aumentaríamos o contingente de pessoas morando em republicas aqui, gastando aqui. Quantas faculdades de medicina há na região? Uma apenas.

As relações entre Legislativo e Executivo em Ibiúna sempre foram polêmicas. O sistema de troca de favores e outras obscuridades pauta esse relacionamento há décadas. De que forma você pretende resolver isso?

A força do Executivo é grande. Traria o povo para decidir. Convocaria a população para se apresentar na Câmara e perceber quem está a favor do povo ou não. O povo tem o direito de saber quem diz a verdade. Não sou ditador e tenho horror à ditadura, mas barganhar cadeiras no Executivo não aconteceria nunca. O poder de veto é do Executivo quer queira quer não.
O assistencialismo é outro fator obscuro que dá as caras no município. De que forma Ibiúna poderia construir uma política social forte, que coibisse de uma vez por todas a troca de votos por cestas-básicas, remédios e outras benesses?

Problema de gestão. Se algum vereador quiser doar o problema será dele e não da prefeitura. Em meu governo, cada secretário será responsável por todas as coisas que sairão da prefeitura. Não haverá conversas para barganha. O dia do beneficio é a véspera da ingratidão. Servidor público tem de servir o público dentro de sua função. Existem sindicâncias para isso.
Como você avalia o desinteresse em política por grande parte dos jovens ibiunenses?

Falta de fé. O que fizeram para os jovens até hoje? Você acreditaria em alguém que nunca fez nada por você?
Em 2008, o Coronel Darcy (PSB) saiu candidato com poucos recursos e uma equipe limitada. Mesmo assim, venceu as eleições e se tornou prefeito. Você acredita que isso pode voltar a acontecer?

Acredito demais nisso, por isso dei a minha cara a tapa. Tenho propostas que estão sendo elaboradas com minha equipe e sei que servirão melhor à população do que o assistencialismo aqui existente. Sem brechas para a corrupção. Esta é a minha proposta e de todo o meu grupo. Zelar pelo bem público e pelo povo. Usar do dinheiro público não como meu, mas do povo. Gestão participativa e com força no Executivo, principalmente nos secretários. Quem não fizer direito cai fora.

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